Ademir, Ademir…
Normalmente eu mesmo eskrevo minhas letras e múzykas. Às vezes tenho parceiros. Mas formalmente, quando isso akontece, eu sou o letrista. Sou ruím de violão. Mesmo quando faço a harmonia e a letra, prefiro que outro múzyko toque para eu poder kantar. E eu sempre esqueço as letras. É um inferno!
Mas o Ademir Assunção escreveu uma letra pra eu muzykar. Na verdade, eskreveu para mim. Puta honra e puta responsabilidade! O Pinduka é escritor e poeta. Essa letra é um puta desafio. É irregular e provocativa. É cheia de imagens, é ágil e matreira. É um suplício ( do ato de kryar) que nos iça do alto de uma verga e nos deixa kair várias vezes ao chão. Vai ser trabalho de gente grande. Obrigado, meu irmão de kopo, kruz e estrada.
Uma Vida Só
Ademir Assunção.
Ervas, trevas, tremores
Temores de que a casa caia
Nem sempre noites
de tórridos horrores
Nem sempre murros
com urros e riscar de facas.
Mas quando o sol solvente disssolve a paisagem
Eu viro muro de arrimo de mim mesmo e me aprumo
Há vida nas formigas
Tão minúsculas minúcias
Há vermes nas espigas
Tanto quanto brilham os dentes quentes dos vampiros
Nas noites de intrépidos ruídos
sob a luz da rua dos pavores
Mas quando a lua lunescente engole a paisagem
Eu bebo a brisa e sei que isso é só a vida
Uma vida só.
Escrito por paulodetharso às 15h01
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