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Salvem o Félix 2


 

Ademir, Ademir

 

Normalmente eu mesmo eskrevo minhas letras e múzykas. Às vezes tenho parceiros. Mas formalmente, quando isso akontece, eu sou o letrista. Sou ruím de violão. Mesmo quando faço a harmonia e a letra, prefiro que outro múzyko toque para eu poder kantar. E eu sempre esqueço as letras. É um inferno!

Mas o Ademir Assunção escreveu uma letra pra eu muzykar. Na verdade, eskreveu para mim. Puta honra e puta responsabilidade! O Pinduka é escritor e poeta. Essa letra é um puta desafio. É irregular e provocativa. É cheia de imagens, é ágil e matreira. É um suplício ( do ato de kryar) que nos iça do alto de uma verga e nos deixa kair várias vezes ao chão. Vai ser trabalho de gente grande. Obrigado, meu irmão de kopo, kruz e estrada.

 

 

Uma Vida Só

                      Ademir Assunção.               

 

Ervas, trevas, tremores

Temores de que a casa caia

Nem sempre noites

de tórridos horrores

Nem sempre murros

com urros e riscar de facas.

 

Mas quando o sol solvente disssolve a paisagem

Eu viro muro de arrimo de mim mesmo e me aprumo

 

Há vida nas formigas

Tão minúsculas minúcias

Há vermes nas espigas

Tanto quanto brilham os dentes quentes dos vampiros

Nas noites de intrépidos ruídos

sob a luz da rua dos pavores

 

Mas quando a lua lunescente engole a paisagem

Eu bebo a brisa e sei que isso é só a vida

Uma vida só.

 



Escrito por paulodetharso às 15h01
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