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Salvem o Félix 2


 

 

 2008. 40 Anos Depois.

 

Hoje, na França e no Brasil, os jovens parecem aturdidos por uma avalanche de livros que consagram um acontecimento que os concerne diretamente. Trata-se de saber a história de como seus pais e avós fizeram a França e o resto do mundo tremer. Trata-se de Maio de 68.

Em Março de 68, um jornalista amigo do meu velho Joka, o Ivo Zanini, estava em Tunis, junto com centenas de outros jornalistas do mundo todo, com aquele que até hoje é referência para muitos; o filósofo Michel Foucault, que ensinava na Universidade daquela cidade. Todo alvoroço em torno de Foucault era por conta de uma frase sua, no momento que os estudantes marchavam para Paris. Quando escrevo marchavam, é porque eles não invadiram a Universidade de Nanterre, nem a Prefeitura, tampouco o Ministério. Eles tomaram Paris.

Maurice Clavel, da administração públika, liga para Foucault e diz: “ Michel, os estudantes estão revoltosos!” Ao que Foucault responde: “ Não, você se engana. Eles são a revolta.”

 

 

Pode parecer tendencioso de minha parte, mas eu não posso deixar de pensar que a humilhação infligida por Israel em 1967 à armada árabe, que a imcomparável e fantástika Primavera de Praga, bem como o triste assassinato de Matin Luther King em 4 de abril e as manifestações em Washington, contra a guerra do Vietinã, fizeram com que Maio de 68, tenha sido, com certeza, o grande acontecimento que mudou o sékulo XX. Mudou a França e o mundo.

 

 

O Daniel Cavana( Dany Boy para quem não sabe ou desconhece a figura, é antes de tudo um homem de saber) disse-me outro dia: “ Agora irão matar os pensadores nos berços!”

Dá para entender…Vivemos hoje nos anos do Baby-boom. O Baby-boom da sociedade de consumo, onde índios do mundo inteiro trocam seus ideais por espelhinhos digitais, I pods, automóveis importados e paraísos artificiais do Club-Méd, pagos com cartões de créditos às custas de 9 milhões de mortes por fome no mundo todo a cada ano.

Hoje, as Universidades permanecem como Templos de um conhecimento que só elas pretendem deter. Elas não são! Elas não serão!

Alguns ainda permanecem fiéis aos ensinamentos dos mestres do pensamento Universal. Foucault, Bourdieu e Lacan fazem parte desse pensamento.

 

Mesmo aqui, entre nós, no país onde “ A brisa primeira balança as kaveiras”, restam pensadores e pensamentos. Mesmo os que já se foram deixaram em nossos corações e mentes, a centelha do saber. É verdade; temos um passado sombrio. Mas, mesmo isolados por rebeliões toskas ao final do II Império direto das mãos de golpistas republikanos, das confusões positivistas dos Jakobinos, mesmo governados por dirigentes déspotas, governos provisórios e mais 21 anos de ditadura militar, que contaminou todo o Cone Sul , ainda assim, podemos contar com a visão cinematográfika de Glauber Rocha e Rogério Sganzerla. Com a maestria de Paulo Freire e Darcy Ribeiro. Com a genealidade da fízyka quântika de Mário Shenberg. Com o original Kaos Kom K de Jorge Mautner. Com o jornalismo brilhante de Tarso de Castro. Com a múzyka de Villa Lobos, Noel Rosa, Adoniran Barbosa, Ismael Silva, Chico Buarque, Vinícios de Moraes, Mutantes, Melodia, até a lembrança de Sérgio Sampaio (que só Walter Figueiredo e Dany Angelotti souberam lembrar o que não se pode olvidar), além de Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé e Lenine e Edvaldo Santana. Dos arranjos de Radamés Gnatalli, Rogério Duprat e Júlio Medalha e Tom Jobim… Das poesias de Oswald de Andrade, Paulo Leminski e Roberto Piva e Irmãos Campos…Do Parangolé de Hélio Oiticica e da morte heróika de Torquato Neto kontra o kanto burguês e enfadonho do Mano Odara e do senhor ex-Ministro da Kultura…Do teatro revolucionário e resistente de Boal, Guarniere até o evolucionário e persistente Bortolotto…Da literatura___e aqui só kabe L maiúsculo___de Reinaldo Moraes e Marcelo Mirisola. E Marcelino Freire e Xiko Sá e o exilado Jorge Cardoso e tantos outros bons...Não, a arte não será mais um eskritório de morte.

 

Não meus velhos! Não será o fim. Porque a Terra, esta puta, kontinua germinando planta e flores delikadas de todas as kores. Inclusive as vermelhas flores de Maio.

 

 E vamos para o Rio de Janeiro.



Escrito por paulodetharso às 15h32
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