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Salvem o Félix 2


 

Mais nada, a não ser a madrugada.

 

Saio por aí com meu peito estourado de cigarro e dor.

Alquebrado, quedado e paralisado.

De repente, “amigos” com canos de armas, me olham estranhamente.

Vai ver que é por que os chamo pelos nomes.

Vai ver é isso! Eu os chamo pelos nomes, e eles preferem apelidos.

É, eu tive medo. Não me envergonho disso!

A impiedade na kara dos meus “velhos kamaradas” é o meu martírio.

Pior do que a tortura nas costas e sob as unhas, é o desprezo nos olhos.

Minha carne tem medo, mas não é covarde.

Morrer; é sem dúvida desagradável. Mas pior, é morrer enganado.

Vou mais uma vez sair de scena. Vou embora, pra outro lugar, vociferar minhas mazelas.

Não, dessa vez não é por causa dela. Sou eu, que fui expulso pelos meus brothers de armas.

Acho que cairei de olhos abertos, uma vez que mesmo deitado estou desperto e vejo uma procissão magnífica que passa diante deles. Execuções bárbaras orquestradas por um sistema de idéias que abomino. Tudo bem... Fui condenado a desejar o que não posso adquirir. Pelo menos não fiz o beija-mão para conhecer o mundo e sakar a kloaka que é a humanidade.

Mas tudo acontecerá na madrugada. Falo da morte.

Porque fika mais simples se for na madrugada.

 



Escrito por paulodetharso às 14h14
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